It is the dream of those who remember.

Like a dream from a time faraway, a sweet memory lingers from the past.
Like a kingdom that you reach, after many years of dreaming…
El-Hazard is the eternal homeland, and the land of never-ending adventures.
As long as there is a challenging spirit, and a readiness to fly into infinity,
The gate to El-Hazard shall be open for you…

Across the breadth of a million nights!

El-Hazard é o marco final da minha carreira como fã de anime. Depois de acompanhar a inesquecível saga de Makoto e Ifurita através do tempo e espaço em busca um do outro, nunca mais tive estômago para assistir um anime de comédia / romance levar anos para juntar os casais que já tinham sido demarcados no primeiro episódio; tampouco me sobrou paciência para fingir que os roteiros fragmentados, confusos e pretensiosos das séries pós-Evangelion faziam algum sentido.

Comparado com El-Hazard, tudo começou a parecer muito igual, sem sal, banal.

Em uma antiga entrevista ainda disponível no site da AIC, o produtor Hiroki Hayashi diz que o “verdadeiro” El-Hazard limita-se à primeira série de OVA. Eu concordo: comparadas com ela, as tentativas de dar continuidade ou recontar a saga soam tolas e hesitantes, infelizes tentativas de capitalizar sobre o sucesso do original. E também não é como se ela precisasse de continuação, pois termina de forma completa e satisfatória, como poucas vezes se viu na indústria de animes.

O que torna El-Hazard tão bom é sua criatividade ao brincar com os clichês dos animes – começando pelo seu protagonista: Makoto pode ser bonzinho, mas nem por isso é idiota. Se ele concorda em trabalhar para a princesa Rune Venus, é porque encontra alguma vantagem pessoal nisso; abordado por uma garota bonita, não dá xilique nem sofre uma crise de hemorragia nasal; confrontado com seu ex-amigo-tornado-inimigo, não tem dúvidas em chamá-lo de idiota, ao invés de fazer algum discurso brega sobre inocência e amizade.

Esse idiota, aliás, é outro ponto alto da série. Megalomaníaco e um tanto tapado, mas ao mesmo tempo gênio estrategista, Jinnai mantém um frágil equilíbrio entre sua faceta cômica e cruel eficiência como general dos insectóides Bugrom. Ao mesmo tempo herói e vilão, ele falha em ser odiável, a despeito de seus melhores esforços.

E há Ifurita. Ifurita! Entre tantas “Chiis” e “Berudandis” que só existem para fazer par com um protagonista bundão, ela se destaca como uma personagem de brilho próprio. Complexa e cativante, é a vilã involuntária por cuja felicidade todos nós terminamos torcendo. Não é à toa que Makoto não tem olhos para outra garota, mesmo cercado por beldades como a princesa Rune Venus, as Sacerdotisas e mesmo sua amiga de infância e quase-paixão-reprimida Nanami.

Finais de anime tendem a ser previsíveis: há o vilão e seu derradeiro esforço de realizar suas malignas ambições, e há o herói e sua tentativa desesperada de detê-lo. O confronto pode ser difícil ou mesmo desleal, mas sabemos que o herói vai acabar prevalecendo, mesmo quando não conseguimos imaginar de que maneira ele fará isso. El-Hazard consegue evitar essa previsibilidade e construir um final realmente emocionante, onde ficamos esperando de respiração suspensa – não para saber se o herói vai conseguir salvar o mundo (isso a gente já toma por certo), mas se dois amantes vão um dia se reencontrar. Em uma saga já marcada pela criatividade, esse é o ponto alto que para sempre a separa das banais estórias-do-bem-contra-o-mal, e lhe assegura um lugar eterno nos corações de seus fãs.

Há um mês comecei a acompanhar algumas das séries que passam no Animax. Descobri que, diferente do que eu acreditava, a banda pensante da indústria de animes não morreu; ao contrário, durante meus anos de auto-exílio séries realmente boas e criativas foram produzidas, algumas delas (como Solty Rei) inclusive tratando de forma bastante decente aqueles temas que me são mais caros. Mas ainda procuro, sem realmente crer que um dia encontrarei, uma série que consiga trazer de volta a surpresa e a empolgação que senti anos atrás, quando pela primeira vez entrei em contato com o Mundo Magnífico.

Autor do post: Xperroni

2 comentários

1 menção

    • cavves em 28/10/2008 às 14:13

    Xperroni vulgo “Grande Mokona”. Compartilhei com você este momento, magnificamente escrito no post, e lembro com muito carinho desta série que junto com Macross, Gundam 0083 e 8TH Team e Cowboy Bebop são os meus animes favoritos.
    Aguardo um post, neste mesmo nivel, de Mahou Tsukai TAI!
    😉

    • yamatokira em 06/01/2009 às 14:29

    El Hazard Magnificent World destaca-se como o melhor anime que já assisti! Deveras, um roteiro brilhante envolvendo na temática dimensões temporais, que vão se justificando no decorrer da história, e enfim, concluindo com a concretização de uma bela história de amor!

    Recomendo a todos!

  1. […] El Hazard: O Game Postado no Dezembro 5, 2008 por cavves Assim como outras séries de anime, o sucesso multimídia de El-Hazard avançou até o mundo dos games -- mais precisamente um RPG, originalmente para Sega Saturn e NEC PC-9821, mas convertido (e adaptado para o inglês) por fãs para Windows e Gameboy Advance. Quem quiser tentar a mão, ele está disponível no site El Hazard on line. O trabalho de conversão é louvável pelo seu esmero, mas infelizmente o original em que ele se baseia não era lá grande coisa (tranqüilamente um dos games mais fracos do Saturn), por isso não tenham grandes expectativas. Mas para os fãs, é uma nova visão da série, juntando-se aos animes e o mangá. Leia a nossa resenha do anime aqui. […]

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